Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

riscos_e_rabiscos

.

.

Que Caraças!

 

Se fosse terça-feira, eu diria que já tínhamos entrado no Carnaval. Antecipado, é certo, mas que já andava tudo sob influência do Entrudo. Parece que escolheram as quartas-feiras para fazer palhaçadas aqui à “me”. Na quarta-feira passada foi dia de palhaçada também!

 

***

Começámos logo bem o dia com uns valentes puxões de cabelos, fora a chuva. Calma, não é nada disso do que estão a pensar!

Fui apanhar a minha camioneta de sempre para ir para o colégio e tive como companheira traseira de bordo – soa estranho, não soa? – uma gaja qualquer que não a minha “velha” companheira velha-da-camioneta. Até aqui tudo natural… a velha-da-camioneta deixou o lugar vazio porque se baldou ao trabalho e outra açambarcou-se.

 

Não sei o que é que a energúmena da minha companheira traseira de bordo ia a fazer que se fartou de me puxar os cabelos o trajecto inteiro. Lá protegia eu o cabelo para lhe dar a “pista” que ela se estava a esticar mas a estúpida nem tchum! Puxou o quanto lhe apeteceu e - preparem-se! – nem desculpa me pediu!!!

Se eu não fosse uma gaja que não é de escândalos, se não estivesse a chover e se eu não fosse carregada que nem uma burra, ele veria o que era bom para a tosse!

 

Depois foi a vez do colégio. O meu 1º ano parecia que estava possuído por um qualquer espírito de galinha, pois foi difícil fazê-los calar. Até as “santinhas” de serviço estavam fora de controlo. Passei uma série de recados para casa.

A meio da aula, a luz foi-se abaixo. Eu até nem estranhei porque este fenómeno acontece várias vezes, principalmente às quartas-feiras, quando é necessário ligar vários aquecimentos. O pior é que hoje a luz nunca mais voltava. Lá foi o meu plano de aulas para o espaço! Que raiva! Tanto trabalho para nada!

 

Passou o tempo de aula e nada de luz. Chegou a hora da outra aula e nada de luz. Fui expor o caso ao director pois não se via nada dentro das salas e não havia condições de trabalho. Desatou-se a rir e disse para cantarmos e dançarmos. Humpf!

Peguei nos putos, fomos para a sala e adiantámos um trabalho de “arts & crafts” até que a escuridão nos permitisse. Quando decidi mandar os putos arrumar, não é que a luz voltou! Argh!!!

 

Terminado o meu período de aulas, fui apanhar a minha camionetazinha para vir para casa. Mal sabia eu que iria “secar” – secar à chuva, onde já se viu?! – mais de meia hora pela dita cuja. Se eu não tivesse mais nada para fazer, até se calhar era fixe. Ficar ali, sentada na paragem, a contar carros… Se calhar até funcionava como anti-stressante. Mas estava uma chuvinha fininnha irritante e começou a ficar um nevoeiro que não se via um palmo à frente do nariz!

 

Opá, há dias em que não se devia MESMO sair de casa! Argh!

 

 

Nevoeiro Perfumado

 

Isto anda mesmo enguiçado. Até parecia que hoje era segunda-feira. Afinal não são só as segundas-feiras que são complicadas, ao que parece…

 

Fico tão irritada quando chego atrasada a algum lado não sendo a culpa minha. Gosto muito de ser pontual, seja em que ocasião for.

Hoje cheguei atrasada ao penso outra vez. Mas ainda bem que não estava lá a enfermeira de ontem, senão hoje ouvia-as caso me chamasse antes da hora.

 

Estava seriamente preocupada pois a minha loca estava a deitar sangue, coisa que nunca tinha acontecido, nem depois da cirurgia. Fiz logo um grande filme na minha cabeça a pensar que teria de ir ao hospital falar com a médica e perder lá o dia inteiro. E logo hoje que tinha montes de coisas para fazer…

Além disso, pensei logo se isto não estaria a fazer nenhuma inflamação, ou coisa do género. A enfermeira disse que estava tudo bem, que até era bom sinal deitar sangue e que deve ter feito isto por causa do adesivo. É que ontem o penso tinha muito adesivo (ao qual começo a fazer alergia) e pouca compressa e o adesivo é pior que super cola 3. Menos uma preocupação! Ufa!

 

A minha cidade acordou sob um pivete nauseabundo a… lixo?! Dejectos?! Cadáveres mortos no século passado?! Ou flatulência geral da população?! Não sei, mas não se aguentava… Argh!

Para piorar as coisas, estava uma neblina que ainda propiciava mais o cheirete.

Estava a mesmo à espera de ver o D. Sebastião surgir das brumas, subindo as escadas do metro ou de outro sítio qualquer, em cima de um cavalo branco possante…

Imaginei que as ruas de Lisboa há uns séculos atrás seriam assim, com este cheiro. Quando não havia saneamento básico e em que o pessoal mandava o conteúdo dos penicos para a rua ou o próprio lixo doméstico. “Cá vai disto!!!” O pessoal desatava a fugir para não levar com o presente na cabeça. Splash…! Mais um enfeite estatelado na bela calçada portuguesa.

Diga-se de passagem que os anos passaram mas os hábitos de higiene estão só “ligeiramente” diferentes…

Andam a tentar convencer-nos com a reciclagem, que há um caixote para cada tipo de material, mas o que é certo é que o xixizinho aos cantos, o cócózito no meio dos passeios e o lixo atirado pelas janelas tipo tiro ao alvo subsistem. Acho que isto já se transformou em tradição portuguesa…

Eu bem que me perfumei antes de sair de casa mas o cheirinho a cheirete sobrepunha-se ao meu caro perfume.

 

Tenho o pessoal todo constipado. O meu irmão está de molho, enfiado na cama. Espero que não sobre para mim. É que não me apetece nada ter os sintomas da constipação e nem ter que estar enfiada na cama. E mais, não me convém faltar à escola senão não recebo. Esta é a pior parte.

Só eu e o Bóbi é que ainda estamos safos… por enquanto! :)